close
Theranos: quando o instinto dos investidores falou mais alto que a due diligence.
Due Diligence - Investidores

Theranos: quando o instinto dos investidores falou mais alto que a due diligence.

Quando Elizabeth Holmes deixou a Universidade de Stanford aos 19 anos para fundar uma startup chamada Theranos, muitos acreditaram que ela era o novo gênio do Vale do Silício.

Basicamente a promessa da empresa era revolucionar os exames de sangue, com testes indolores capazes de identificar ao menos 70 marcadores diferentes de doenças e resultados disponíveis pelo celular. E o melhor: por menos da metade do preço praticado no mercado.

O investidor bilionário Tim Draper emprestou o primeiro milhão em 2003. Um ano depois, a empresa recebeu US$ 6,4 milhões. Em 2014, os aportes de capital chegavam a US$ 400 milhões e os investidores avaliavam a empresa em US$ 9 bilhões.

Theranos chegou ao topo, mas desabou de forma vertiginosa quando o repórter John Carreyrou, do Wall Street Journal, expôs uma das maiores fraudes já perpetradas no Vale do Silício: a tecnologia não era nada disso, havia parcerias mentirosas e testes forjados, entre outras mentiras.

Mas como Elizabeth Holmes enganou tanta gente por tanto tempo?

No centro da história estão os investidores. Tudo começou com um investidor bem-sucedido que investiu na empresa e, por causa de seu nome e reputação, atraiu outros investidores por mais de uma década.

Nomes como James Mattis, o atual Secretário de Defesa, e Henry Kissinger, Rupert Murdoch, o bilionário proprietário da News Corporation (e, por extensão, o Wall Street Journal) alavancaram a Theranos.

No caso de Rupert Murdoch, Elizabeth Holmes o conheceu num jantar no Vale do Silício.

Diferentemente das grandes empresas de capital de risco, Rupert Murdoch não partiu para um processo de due diligence a fim de conhecer a empresa com mais profundidade. O magnata de oitenta e quatro anos de idade somente fez uma ligação antes de investir US $ 125 milhões.

Para Murdoch, dono de uma fortuna de quase U$ 17 bilhões, esse valor foi insignificante, porque significou cerca de 1% de sua riqueza líquida e, com a perda de impostos, certamente não ter lhe custou muito.

Nesse caso a questão nem é o valor perdido pelos investidores, já que o risco é sempre inerente ao seu negócio, mas a falta de investigações que poderiam ter mostrado muito antes que uma das empresas mais inovadoras do mundo era na verdade uma grande fraude.

A história é tão surpreendente que virou livro (Bad Blood: Secrets and Lies in a Silicon Valley Startup) e documentário na HBO. Com base no livro, também está previsto o lançamento do filme, com Jennifer Lawrence interpretando Elizabeth Holmes, a personagem da vida real que no final se revelou uma grande atriz também.