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Pandemias: quem consegue prever?
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Pandemias: quem consegue prever?

Photo by cottonbro

Em 2015, Bill Gates palestrou durante 8 minutos em uma conferência da TED em Vancouver sobre um potencial vírus que poderia causar uma pandemia global. Segundo ele, se existe algo que pode matar mais de 10 milhões de pessoas nas próximas décadas é uma infecção viral mais poderosa que a guerra. Em um gráfico animado ele mostrou o potencial do vírus “influenza” se alastrar pelo mundo todo, ao mesmo tempo.

Essa não foi a única vez que Bill Gates fez um alerta sobre esse tipo de perigo. Há dois anos atrás, em Davos, ele falou novamente sobre o mesmo tema.

Como Bill Gates conseguiu enxergar algo que, de certa forma, pegou de surpresa bilhões de pessoas e fez o mundo parar no início de 2020?

Acredite, ele não foi o único.

Uma pandemia em nível global já era esperada e anunciada há um bom tempo. A grande questão era quando iria acontecer.

O documentário “Pandemic: How to Prevent an Outbreak”, produzido em 2019 e lançado no início de janeiro de 2020 na Netflix, mostra como pesquisadores tentam combater epidemias incontroláveis e investigam vírus que têm potencial para se espalhar por países inteiros — ou até mesmo por todo o mundo. Durante a série, que tem 6 episódios, um dos médicos afirma que “apesar de não podermos prever onde surgirá a próxima pandemia, há certos locais que exigem uma atenção especial — e a China é um deles. Porque é o local de onde vimos emergir quase todos os vírus mortais ao longo do último meio século”.

Outra previsão – e mais do que acertada – foi da startup de inteligência artificial BlueDot, baseada no Canadá.

Nove dias antes de a Organização Mundial da Saúde emitir um alerta sobre a epidemia do coronavírus da China, ela detectou a doença e para quais locais ela iria migrar, prevendo corretamente sua chegada a Bangkok, Seul, Taipei e Tóquio.

Criada por Kamran Khan, um médico infectologista que trabalhou em hospitais em 2003 durante o surto de SARS, a startup é uma plataforma em nuvem que interage com mais de 100 bancos de dados para monitorar epidemias, em tempo real.

Kamran Khan é fundador e CEO da BlueDot

 

Com base em profundos conhecimentos de matemática, engenharia, ciência, estática e uso de dados, pessoas e inteligências artificiais estão cada vez mais aptas a desenharem cenários que envolvem a saúde pública no mundo.

Diante do cenário do COVID-19, fica claro que não será mais possível ignorar esse tipo de previsões, achando inclusive que tão cedo não vai acontecer de novo.

Com isso, abrem-se novas possibilidades de negócios para startups e empresas que atuam com inovação na área de saúde.

Segundo Khan, da BlueDot, as iniciativas do gênero podem cobrir a lacuna deixada pelos governos, que são muito vagarosos na hora de ocupar esse espaço entre medicina e tecnologia: “Os sistemas de saúde não têm a capacidade de se proteger e ninguém está atento aos riscos econômicos enfrentados pelo setor privado em geral”.

Certamente, depois dessa pandemia, investidores vão enxergar as startups que atuam nessa área com muito mais apetite e atenção. Concorda? =)